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Venture Philanthropy: da intenção ao impacto

  • Foto do escritor: Daiane  Dultra
    Daiane Dultra
  • há 5 dias
  • 2 min de leitura

Saí de um painel sobre Venture Philanthropy, no SXSW London, com uma pergunta: e se a conversa sobre impacto fosse, cada vez mais, também uma conversa de quem financia?


Estamos acostumadas a ouvir que as organizações da sociedade civil precisam provar seus resultados. Li um artigo da Alliance Magazine que me trouxe uma provocação: o próprio campo da filantropia tem se perguntado até que ponto consegue enxergar a efetividade das suas estratégias de financiamento.

Não como uma falha, mas como sinal de um setor mais maduro, disposto a olhar para dentro com a mesma exigência que dirige para fora.

E isso muda a conversa para todo mundo.


Nos últimos anos, fundações e investidores sociais privados vêm passando por uma mudança importante de perspectiva. Deixaram de se perguntar apenas se apoiam boas causas e passaram a se perguntar: os resultados alcançados aconteceriam da mesma forma sem aquele investimento?


Para quem capta, isso não é um detalhe técnico. É uma virada estratégica, e uma oportunidade de diálogo.


Quando a avaliação deixa de ser prestação de contas


Num cenário de profissionalização crescente da filantropia, os processos de PMA (planejamento, monitoramento e avaliação) deixam de ser burocracia de relatório para virar linguagem comum entre quem financia e quem executa. Não se trata de acumular indicadores, mas de conseguir contar, com evidência, o que mudou na vida das pessoas e dos territórios.


Indicadores bem definidos, escuta de quem é impactado, análise de resultados e aprendizagem institucional permitem demonstrar não só o que a organização fez, mas o que se transformou por causa disso. E é exatamente essa história que financiadores comprometidos com impacto -  a lógica que dá nome à Venture Philanthropy - querem construir junto.


Há um ganho que fica dentro de casa dos dois lados, também. Quem investe em monitoramento e avaliação enxerga melhor os próprios limites, corrige rotas e amadurece sua gestão. A avaliação, quando bem feita, é menos uma cobrança e mais um espelho.


No fim, organizações e financiadores querem a mesma coisa: mudanças reais para quem mais precisa. E, cada vez mais, ninguém quer sustentar essa aposta só na boa intenção. Propósito, evidência e aprendizado contínuo é o que mantém a confiança de pé dos dois lados da mesa.

E fico com uma pergunta: e se a próxima fronteira da filantropia não for medir mais, mas medir juntos?


Como você tem enxergado isso?


Um abraço, 

Daiane Dultra

 
 
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