E se olhar para sua trajetória profissional fosse o seu próximo movimento?
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Talvez você também esteja sentindo isso: uma espécie de dificuldade de olhar para a própria trajetória profissional e saber exatamente para onde ir.
Não necessariamente porque você esteja infeliz com o que faz. Às vezes, é justamente o contrário. Você gosta do seu trabalho, construiu uma carreira, acumulou experiência e desenvolveu competências, mas, de repente, começa a se perguntar: e se tudo isso mudar? E se a profissão que eu exerço hoje deixar de existir do jeito que conheço? E se eu estiver ficando para trás?
Não é uma sensação individual. O mundo do trabalho está atravessando uma transformação profunda.
Os dados ajudam a explicar parte desse desconforto. Segundo estudo da Gallup de 2025 - State of the Global Workplace 2026, apenas 20% dos trabalhadores no mundo estavam engajados com o trabalho, enquanto 40% dos homens disseram ter experimentado muito estresse no dia anterior. Entre as mulheres, esse percentual chegou a 43%.
Ao mesmo tempo, o trabalho está mudando em uma velocidade difícil de acompanhar. O LinkedIn estima que profissionais que estão entrando hoje no mercado terão, ao longo da carreira, aproximadamente o dobro de empregos que as pessoas tinham há 15 anos. E a plataforma projeta que, até 2030, 70% das habilidades utilizadas na maioria dos trabalhos vão mudar.
O Fórum Econômico Mundial aponta que as ferramentas que mais ganharão importância são inteligência artificial e big data, mas também pensamento criativo, resiliência, flexibilidade, agilidade, curiosidade, liderança e aprendizagem contínua.
E existe uma informação que, para mim, é especialmente importante: isso não significa simplesmente que “a IA vai acabar com os empregos”.
O cenário é mais complexo. Até 2030, o Fórum Econômico Mundial estima a criação de 170 milhões de novos postos de trabalho e o deslocamento de 92 milhões. Ou seja, teremos profissões desaparecendo, outras surgindo e muitas sendo profundamente transformadas.
É nesse cenário que nasce uma sensação que talvez você conheça bem: FOMO profissional.
A impressão de que existe alguma coisa acontecendo (uma nova tecnologia, uma nova profissão, uma nova habilidade, uma nova oportunidade) e que todo mundo está entendendo menos você.
“Será que eu deveria estar estudando IA?”
“Será que preciso fazer uma pós?”
“Será que minha experiência ainda vale alguma coisa?
“Será que estou velha demais para mudar?”
“Será que deveria empreender?”
“Será que deveria voltar para o mercado?”
“Será que daqui a cinco anos ainda vou querer contratar o que faço hoje?”
É muita informação para processar. Muitas possibilidades. Poucas certezas. E isso pode nos deixar sem chão e emocionalmente afetadas. E acho que essa conversa é especialmente importante para nós, mulheres.
Tenho pensado bastante sobre isso porque, neste ano, eu mesma estou em um movimento intenso de aperfeiçoamento. Tenho estudado mais sobre IA, futuro, cenários e pensamento preditivo. Não porque acredito que precisamos prever exatamente o que vai acontecer, mas porque acredito que precisamos desenvolver a capacidade de imaginar possibilidades e tomar decisões melhores diante delas.
Nossas trajetórias profissionais raramente são lineares. Muitas de nós mudamos de área, interrompemos caminhos, começamos de novo, conciliamos diferentes trabalhos, cuidamos de outras pessoas, empreendemos, voltamos ao mercado, assumimos posições de liderança e, em algum momento, percebemos que aquela profissão que escolhemos há 10, 15 ou 20 anos já não representa tudo o que somos.
E existe uma boa notícia nisso. Nossa trajetória não é um acúmulo de experiências desconectadas. É um repertório.
Cada trabalho deixou alguma coisa: uma competência, uma habilidade, uma rede, uma visão de mundo, uma capacidade de resolver problemas, de liderar, comunicar, negociar, criar, organizar, vender, cuidar, pesquisar, construir relações.
O desafio é conseguir enxergar tudo isso e transformar em possibilidade de futuro.
Foi justamente essa reflexão que nos levou a revisitar um projeto muito querido para nós. Nos últimos anos, realizamos duas edições da Jump, nosso programa de desenvolvimento de carreira para mulheres. A última edição teve as inscrições encerradas em apenas duas horas, depois que todas as vagas foram preenchidas.
Foi um sinal importante.
Havia uma demanda enorme por espaços em que mulheres pudessem parar, olhar para a própria trajetória e pensar com mais nitidez sobre os próximos passos.
Mas o mundo mudou. E nós também. Por isso, decidimos não simplesmente abrir uma nova edição da Jump. Paramos. Escutamos. Olhamos para o momento atual. Revisitamos a metodologia e reformulamos o programa.
Assim nasce a REVOADA: um programa de desenvolvimento de carreira para mulheres que querem construir seus próximos movimentos profissionais olhando não apenas para o que já fizeram, mas também para o mundo que está se desenhando à frente.
Partimos de uma premissa simples: você não precisa começar do zero para mudar de caminho.
A proposta é ajudar mulheres que buscam reposicionamento de carreira no campo social, em processo de transição para o terceiro setor ou para funções de liderança e captação de recursos em OSCs. O programa é indicado para quem quer avançar estrategicamente na carreira e se beneficia do aprendizado coletivo, da troca entre pares e de um espaço seguro de reflexão compartilhada.
Talvez você precise, antes, entender o que já construiu.
Eu tenho uma estratégia pessoal para momentos de instabilidade: voltar para o método. Quando tudo parece muito incerto, eu tento diminuir o ruído, organizar as perguntas, olhar para os dados, entender o contexto e transformar ansiedade em próximos passos possíveis. Não porque o método elimine a incerteza, mas porque ele nos devolve alguma coisa que a incerteza costuma tirar: a sensação de que podemos agir!
O futuro do trabalho pode até ser incerto, mas a sua trajetória não precisa ser.
E talvez você não precise escolher entre tudo o que já foi e tudo o que ainda pode ser. Talvez seja hora de descobrir como fazer essas duas rotas voarem juntas.
Se você chegou até aqui é porque esse texto, de alguma forma, mexeu com você.
Hoje lançamos o programa e caso queira saber mais, acesse: https://lp.painaimpacto.com/revoada
Espero te ver na REVOADA!
Um abraço,
Daiane Dultra


